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Diante da emergência climática, o setor agrícola, grande emissor de gases de efeito estufa, inicia sua transformação energética. Durante muito tempo considerada difícil de descarbonizar, a agricultura vê surgir inovações concretas para reduzir sua pegada de carbono.

Na fazenda experimental de Derval, na região Loire-Atlantique, no oeste da França, um trator diferente entrou em funcionamento: o Tractofit’Elec, o primeiro trator agrícola reequipado para funcionar com eletricidade e hidrogênio. Apresentado pela empresa Vensys, da região Vendée, este protótipo ilustra a ambição crescente de tornar mais ecológica a motorização dos equipamentos agrícolas e contribuir para a transição energética do setor. Testado em campo desde setembro de 2024, o Tractofit’Elec foi apresentado ao público na feira Hyvolution, em Paris, em janeiro de 2025.

Este tipo de iniciativa acontece num contexto em que a agricultura representa uma fonte muito importante de emissões de gases com efeito estufa. Na França, por exemplo, é a segunda maior fonte, depois dos transportes, representando 20,6% do total nacional, com 77 MtCO₂e emitidas em 2023. Com uma especificidade: essas emissões são compostas na maioria por metano (CH₄), proveniente principalmente da pecuária, e óxido nitroso (N₂O), proveniente de fertilizantes em solos cultivados. As emissões de CO₂, por sua vez, provêm essencialmente do consumo de combustível pelas máquinas agrícolas. A agricultura é, portanto, um setor muito específico no desafio climático: difícil de descarbonizar totalmente, mas imprescindível e essencial para a transformação.

Várias alavancas para a descarbonização

“Para enfrentar esses desafios, o setor agrícola está se orientando para uma transformação sistêmica baseada em várias alavancas de descarbonização, começando pela melhoria da eficiência energética das fazendas e pela eletrificação das máquinas agrícolas, ou pela adoção de combustíveis alternativos, como o hidrogênio ou o biogás”, explica Valentine Salomon, Hydrogen & Renewable Gas Market Manager da Actemium, a marca Indústria da VINCI Energies. “A tendência também é o desenvolvimento da agricultura de precisão, otimizando o uso da água, fertilizantes e energia com tecnologias conectadas, a valorização de resíduos agrícolas por meio da metanização e a integração de energias renováveis, como a energia solar com o sistema agrivoltaico.”

“O setor agrícola está se orientando para uma transformação sistêmica.”

Empresas como a Actemium acompanham essas transformações, oferecendo soluções tecnológicas sob medida. Por exemplo, sistemas de automação que permitem otimizar a irrigação ou o fornecimento de insumos, reduzindo assim as emissões e aumentando o rendimento. “A perícia da Actemium também inclui auditorias energéticas, por meio de sua ferramenta Quick Scan Energy, para melhorar o desempenho energético das instalações”, acrescenta Valentine Salomon.

Da valorização de resíduos à gestão da água

A valorização de resíduos também é um eixo de desenvolvimento das atividades da Actemium. A Méthalac, por exemplo, uma empresa da rede Actemium, desenvolve unidades de metanização de biomassa para valorizar resíduos agrícolas, transformando-os em biogás para cogeração, produção de eletricidade ou calor, ou injeção na rede de gás natural.

Na gestão da água, podemos citar também a Lexem, uma unidade de negócios da VINCI Energies. Para a Maître Prunille, empresa produtora de ameixas e frutas secas em Agen (Lot-et-Garonne), ela projetou e instalou uma ilha robotizada destinada a esvaziar as pilhas de palox (caixas grandes) de frutas frescas em um reservatório de água. O esvaziamento dessas caixas por um robô de precisão permitiu ao cliente limitar os derramamentos e economizar até 30 a 40% da água consumida durante as oito semanas de colheita.

A Omexom, marca Infraestruturas energéticas da VINCI Energies, participa, por sua vez, na instalação de painéis fotovoltaicos em zonas rurais. Em 2021, em Bioule, um município rural de 1.150 habitantes na região de Tarn-et-Garonne, mais de 30.000 painéis foram instalados pela Omexom RE Solar em 17 hectares, com uma potência de 13,45 MW. Um jovem agricultor instalou no local um rebanho de 160 ovinos para pastar.

Reinventar práticas, ferramentas e modelos de produção

Essas abordagens combinam inovação tecnológica, eficiência ambiental e rentabilidade econômica, a serviço de uma transição agrícola mais sustentável. Embora a agricultura não possa, por si só, atingir a neutralidade de carbono, ela é um agente imprescindível, tanto por sua capacidade de reduzir suas próprias emissões quanto por seu papel no armazenamento de carbono, na produção de energias renováveis e na adaptação às mudanças climáticas.

A descarbonização do setor agrícola não se baseia em uma solução única, mas em um conjunto de iniciativas coerentes que reinventam práticas, ferramentas e modelos de produção, com atores industriais e tecnológicos atuando para acelerar sua implementação.

15/01/2026