Renovação: a nova era de ouro do setor imobiliário comercial
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A renovação consolida-se como o motor do setor imobiliário comercial na Europa: restrições energéticas, expectativas dos investidores e novos usos transformam escritórios antigos em espaços modulares, confortáveis e econômicos.

Por muito tempo relegada em segundo plano atrás das construções novas, a renovação tornou-se hoje o motor da construção civil na Europa. Pressionada por exigências ambientais, econômicas e fundiárias, ela se impõe como a nova norma para investidores e operadores, especialmente no setor imobiliário comercial.
Segundo a consultoria Euroconstruct (relatório 2024), a renovação já representa mais de 50% da atividade da construção civil na Europa, um patamar inédito. Na França, a Federação Francesa da Construção Civil (FFB) aponta que a participação das novas edificações caiu para 43% em 2024, enquanto renovação e manutenção passaram a responder por 57% da atividade total. Em menos de uma década, a tendência se inverteu: renovar tornou-se mais vantajoso do que reconstruir.
Um impulso regulatório decisivo
Esta virada é, antes de tudo, estrutural e regulatória. A nova diretiva europeia relativa ao desempenho energético dos edifícios (EPBD, 2024) determina uma renovação progressiva do parque existente para alcançar a neutralidade de carbono em 2050. O texto exige que 16% do parque comercial dos Estados-membros seja renovado até 2030, com meta de 26% até 2033.
Na França, o decreto Eco Energie Tertiaire estabelece metas ambiciosas: redução de 40% no consumo de energia até 2030, 50% até 2040 e 60% até 2050. Essas obrigações pressionam os proprietários a reavaliar seus ativos, sob risco de desvalorização.
Renovação, reversibilidade, reutilização: esses três “R” do setor imobiliário comercial redefinem hoje o panorama imobiliário.
Os mercados financeiros rapidamente assimilaram essa evolução. Segundo a consultoria CBRE (European Real Estate Market Outlook 2024), fundos imobiliários agora priorizam ativos “core green”, frequentemente renovados, por atenderem melhor aos critérios ESG e preservarem um valor de revenda mais alto.
“No bairro de Paris La Défense, quase um milhão de metros quadrados de escritórios estão envelhecidos ou obsoletos. A modernização de 250 mil m2 e seu sucesso comercial demonstram a viabilidade econômica da reestruturação de edifícios antigos”, afirmou Pierre-Yves Guice, diretor-geral da Paris La Défense, em novembro de 2024, à France Media Business.
A CAPEB (Cahiers de tendances n° 1) lembra que 70% do parque comercial francês foi construído antes de 1980. Em um contexto de escassez de terrenos, o Insee (Instituto Nacional de Estatísticas e Estudos Econômicos) aponta que demolir e reconstruir é mais caro do que renovar em metade dos casos nas áreas urbanas densas. Resultado: multiplicam-se os projetos de reposicionamento, ou de “re-purpose” (escritórios convertidos em habitações, hotéis ou espaços de usos mistos).
Uma transformação impulsionada pelos novos usos
Outro vetor dessa mudança é a reinvenção dos espaços de trabalho desde a crise sanitária. Segundo a CBRE European Office Occupier Sentiment Survey 2023, 60% das organizações planejam reduzir seu portfólio de escritórios, priorizando ambientes modulares e colaborativos. Assim, a proporção de escritórios individuais caiu de 51% em 2021 para 40% em 2024.
O conforto permanece central para atrair talentos, com instalações modernas e áreas de convivência. A sobriedade energética e funcional também orienta as escolhas, favorecendo renovações e reposicionamentos em áreas centrais.
Os projetos de renovação permitem integrar esses novos usos sem partir do zero. Renovação, reversibilidade, reutilização: esses três “R” do setor imobiliário comercial redefinem hoje o panorama imobiliário. A transformação deste parque ilustra uma convicção amplamente compartilhada: o futuro dos edifícios já não se constrói, renova-se.
16/02/2026