Os portos de Tarifa e Algeciras se conectam à transição energética
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Os dois portos do extremo sul da Espanha dão mais um passo rumo a um modelo marítimo mais sustentável. Graças às soluções OPS desenvolvidas pela VINCI Energies, balsas e navios poderão desligar seus motores enquanto estiverem atracados, reduzindo significativamente suas emissões atmosféricas e sonoras.

A descarbonização do transporte marítimo está avançando rapidamente na Europa. No âmbito do Pacto Verde e do pacote legislativo “Fit for 55”, a União Europeia impõe uma redução drástica das emissões de navios atracados. Até 2030, o fornecimento de energia elétrica em cais, ou OnShore Power Supply (OPS), se tornará a norma nos principais portos europeus. Ao permitir que as embarcações desliguem seus motores auxiliares e se conectem à rede terrestre, esses sistemas reduzem de forma expressiva as emissões atmosféricas e sonoras.
É nesse contexto que a VINCI Energies está implementando diversos projetos estratégicos nos portos de Tarifa e Algeciras, no sul da Espanha, após licitações lançadas em 2025 pela Autoridad Portuaria de la Bahía de Algeciras. “O objetivo principal é equipar os portos com a infraestrutura necessária para o abastecimento de energia elétrica aos navios”, explica Jose Ganado Olmedo, diretor de portos e energias renováveis da VINCI Energies na Espanha.
Os cais 2 e 3 do porto de Tarifa, bem como os cais 7b e 8 do porto de Algeciras, foram adjudicados à VINCI Energies em junho de 2025. “Para a licitação, propusemos nossa solução OnShoreBox, desenvolvida internamente, com um aumento de capacidade de 400 para 750 kVA”, esclarece Jose Ganado Olmedo. As obras começaram em fevereiro de 2026, com entrada em operação prevista para o quarto trimestre do mesmo ano.
Tarifa: eletrificar balsas e frota local
Em Tarifa, a subestação OPS abastecerá as balsas que operam a ligação Tarifa-Tânger (Marrocos), além de 36 pontos de conexão para barcos de pesca e tomadas dedicadas a uma lancha de patrulha e a uma embarcação de recreio. O projeto inclui a instalação de uma subestação de comutação de média tensão (20 kV), um transformador 20/0,69 kV dedicado ao OPS, uma subestação para a zona de pesca e a implantação de linhas elétricas até os pontos de atracação, com dois pontos de conexão fixos equipados com um sistema de gerenciamento de cabos.
“Reforçar a competitividade dos portos e prevenir riscos regulatórios.”
Os benefícios ambientais são expressivos. “Estimamos uma redução anual de 1.148.000 kg de CO₂, de 23.760 kg de NOx, de 7.920 kg de SOx e de 1.980 kg de partículas finas”, afirma Jose Ganado Olmedo. Além disso, a desativação dos motores auxiliares permitirá “reduzir consideravelmente o nível de ruído e melhorar o ambiente urbano”.
Algeciras: maior capacidade para as ligações com Ceuta
Em Algeciras, o OPS fornecerá energia às balsas que conectam o porto a Ceuta, cidade autônoma espanhola situada na costa norte da África, na fronteira com o Marrocos. A infraestrutura permitirá alimentar simultaneamente duas balsas de 400 kVA cada, ou uma única embarcação de até 800 kVA. O projeto inclui um transformador de potência de 800 kVA, uma subestação de 20/0,69 kV, obras de engenharia civil, a instalação de cabos sob a laje portuária e dois pontos de conexão fixos com CMS. O impacto ambiental anual estimado é de “1.913.000 kg de CO₂ evitados, 39.600 kg de NOx, 13.200 kg de SOx e 3.300 kg de partículas finas a menos”.
Solução integrada, expertise reconhecida
“A solução OPS foi concebida, integrada e construída pela VINCI Energies na Espanha”, destaca Jose Ganado Olmedo. Em conformidade com a norma internacional CEI/IEEE 80005, a OnShoreBox integra “um sistema completo de controle e monitoramento que automatiza a maior parte das operações de conexão e desconexão dos navios.”
A empresa conta também com “a expertise tradicional da Omexom [a marca Infraestruturas de Energia da VINCI Energies] em linhas de média e baixa tensão e obras de engenharia civil”, além da experiência acumulada em vários portos espanhóis.
Uma alavanca ambiental e econômica
Além da redução das emissões de gases de efeito estufa, “os portos que oferecem serviços de fornecimento de energia elétrica atraem empresas comprometidas com políticas ESG”, observa Jose Ganado Olmedo. O OPS contribui para “reforçar a competitividade dos portos e prevenir riscos regulatórios”, já que a União Europeia exigirá esses serviços em portos de alto tráfego entre 2030 e 2035.
“Embora o investimento inicial seja elevado, os custos energéticos são inferiores aos dos combustíveis marítimos e a manutenção dos motores auxiliares diminui”, conclui.
A instalação da solução OPS nos portos de Tarifa e Algeciras integra o plano de descarbonização da autoridade portuária, alinhado à sua estratégia de desenvolvimento sustentável.
10/09/2026