Ainda vista como marginal há alguns anos, a reutilização de materiais e equipamentos na construção civil tornou-se hoje uma alavanca essencial para a transição ecológica e social. Ela gera empregos, estrutura novos setores e redefine as práticas de construção.

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Em 2020, a reutilização de lotes técnicos na construção civil ainda era amplamente percebida como algo marginal, quase uma curiosidade. No entanto, já naquele momento, uma realidade se impunha: o potencial de redução do escopo 3 [emissões indiretas de gases de efeito estufa] superava em muito o das emissões diretas e do consumo energético dos escopos 1 e 2, sendo quase cem vezes maior. Diante disso, o imobilismo simplesmente não era uma opção.
Mobilizar todo o setor
Na VINCI Energies Building Solutions, na região Ile-de-France, o compromisso foi assumido por convicção, sem esperar pelas exigências regulatórias da RE2020, pela taxonomia europeia, pelas demandas dos clientes ou pelas ofertas dos fornecedores. A intenção era clara: agir, mobilizar todo o setor e acelerar o movimento.
As primeiras iniciativas concentraram-se no design de baixo carbono e na identificação de cadeias de suprimento de equipamentos de menor impacto. A cada nova análise, surgiam soluções. Elas não eram mais caras nem menos eficientes, mas exigiam mais inteligência coletiva e engenharia.
Em 2021, durante o Prêmio Meio Ambiente VINCI, um encarregado de obras propôs a reutilização de bandejas de cabos. A ideia foi retomada, estruturada e implementada. A recuperação, realizada pela RESO Services, e a reintegração desses materiais ao circuito de abastecimento das empresas demonstraram a viabilidade do modelo. O sucesso não se limitou a esse único equipamento: outros materiais passaram a ser reutilizados, recondicionados ou retrofitados.
Um ambiente empresarial que incentiva a ousadia e a antecipação
Hoje, cerca de dez setores de reutilização estão operacionais, em uma abordagem compartilhada em toda a VINCI por meio da Backin (a solução do grupo para massificar a reutilização de materiais nas obras).
Uma cadeia de reutilização vai muito além de um gesto técnico: ela envolve a identificação de jazidas, processos de retirada, recondicionamento, rastreabilidade, seguros, armazenamento e disponibilização para novos projetos.
Essa estruturação exigiu investimentos concretos, como a duplicação da área de armazenagem e a contratação de profissionais comerciais dedicados. O equilíbrio econômico ainda não foi alcançado, mas essa visão de médio prazo é possível graças a um ambiente empresarial que incentiva a ousadia e a antecipação.
Um pilar de uma transição ambiental justa, geradora de valor e profundamente humana.
Os empreiteiros agora aderem a essa abordagem. Uma reforma já não começa com uma limpeza indiscriminada, mas com uma reflexão prévia: o que conservar, o que reutilizar, o que transformar?
A reutilização ainda é marginal? No curto prazo, talvez. Em 2025, ela terá permitido que a atividade de obras da Building Solutions na região Ile-de-France evitasse cerca de 1% das emissões do escopo 3 upstream.
Mas reduzir essa dinâmica a uma simples porcentagem seria um equívoco. Primeiro, porque todas as condições estão reunidas para uma expansão acelerada da reutilização: clientes convencidos, setores estruturados, empresas preparadas. Segundo, porque a reutilização carrega um valor social significativo.
Um trabalho útil para o planeta e para a sociedade
Do ponto de vista econômico, 10 mil euros em materiais novos ou reutilizados representam o mesmo valor. A diferença está no conteúdo: o novo consome principalmente matéria-prima e energia; a reutilização gera empregos.
Este único por cento de impacto representou cerca de 100 mil horas de trabalho adicionais, o equivalente a 60 empregos em tempo integral. Um orgulho coletivo: o de realizar um trabalho útil para o planeta e para a sociedade.
Este valor social ainda não está integrado nos critérios de comparação das ofertas. Mas o otimismo permanece: este reconhecimento virá. A reutilização não é uma curiosidade. É um dos pilares de uma transição ambiental justa, geradora de valor e profundamente humana.
10/09/2026