Com a realidade virtual, as tecnologias digitais se aplicam agora rio acima em toda a fase de concepção dos veículos e também das linhas de produção. Vejamos alguns exemplos na indústria automotiva.

No dia 16 de agosto de 2019, a Bugatti apresentou sua mais recente criação: o Centodieci. Além de suas qualidades excepcionais, o novo carro de luxo do famoso fabricante, uma subsidiária do Grupo Volkswagen, tem a particularidade de ter sido projetado em… apenas seis meses.

O segredo da Bugatti? Os métodos de concepção para esta variante do Chiron, o superesportivo de produção mais potente da marca, foram em grande parte baseados na realidade virtual. Esta tecnologia permitiu à construtora dividir por três a duração da concepção, sendo ao mesmo tempo perfeitamente adequada para a produção de séries muito limitadas (dez unidades para o Centodieci) e em tempo recorde.

Como? Com um capacete de realidade virtual, você pode observar a maquete 3D do veículo sob todos os ângulos, por dentro e por fora. Uma equipe inteira de designers e técnicos pode assim interagir sobre a maquete e apontar quaisquer pontos de melhoria, mesmo antes da construção de uma maquete física.

“Uma das aplicações possíveis pode ser a modificação de uma linha de produção para introduzir a fabricação de um novo veículo, enquanto continua a produzir os modelos antigos e sem diminuir o ritmo de produção global”

Esta economia de tempo e dinheiro interessa cada vez mais a indústria automotiva, como mostra o exemplo da Volvo, que utiliza o capacete XR-1 da start-up Varjo para testar diferentes designs ou sistemas na pista, em condições reais de condução, mesmo antes de os protótipos terem sido projetados.

Do virtual ao real

Presente neste mercado emergente e promissor, a Actemium, marca da VINCI Energies dedicada aos processos industriais, está trabalhando para desenvolver soluções de realidade virtual para o setor automotivo, mas aplicadas aos sistemas de fabricação.

“Uma das aplicações possíveis pode ser a modificação de uma linha de produção para introduzir a fabricação de um novo veículo, enquanto continua a produzir os modelos antigos e sem diminuir o ritmo de produção global”, explica Stéphane Conrad, dirigente da Actemium Trappes.

Neste exemplo, um scan 3D da oficina permite ter, com um capacete de realidade virtual, uma visão completa do local como em uma situação real. “Podemos até identificar novos elementos ou suportes de cabos, ou redes que não foram necessariamente mencionadas na base documental”, acrescenta Stéphane Conrad, enfatizando a possibilidade de limitar os deslocamentos até a oficina e o tempo economizado na fase de projeto.

Outra aplicação da realidade virtual: a validação final do estudo. “Aqui, não partimos do real para trabalhar em virtual, ao contrário, utilizamos o virtual para otimizar a instalação real futura, por exemplo, testando ou modificando elementos por questões de segurança, ergonomia ou acesso para a manutenção”, conclui Stéphane Conrad.

Base de dados na nuvem

Atuando por conta da Renault em um grupo de trabalho sobre a robótica para otimizar os processos através da simulação, a Actemium também está trabalhando com um programa de compartilhamento de projetos em um banco de dados virtual onde todos os fornecedores e a construtora podem reunir suas próprias concepções.

Com o software Inventor, este programa compartilhado através da nuvem permite a todos os parceiros (eletricidade, encanamentos, ar comprimido…) ver a instalação e conhecer os vetores de movimento de cada máquina a fim de detectar antecipadamente possíveis problemas, especialmente em termos de segurança ou otimização“, explica Eloy Hernandez, Diretor comercial Espanha e Estados Unidos da Actemium ASAS.

É uma maneira de reduzir significativamente os prazos e custos“, afirma Eloy Hernandez, que também vê a realidade virtual como “uma ferramenta maravilhosa para treinar os operadores para usar as máquinas“.

18/11/2020